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13 de julho de 2012

Luiza-Homem

Li Luiza-Homem sem nenhuma preocupação em encontrar traços do romantismo, naturalismo ou qualquer outra classificação literária, li Luiza me deixando levar pelo cenário, pela seca, pela simplicidade dos habitantes de Sobral no Ceará e foi por isso que achei o livro extremamente envolvente. Domingos Olímpio cria em seu livro um triângulo amoroso entre a jovem Luiza-Homem, apelido recebido desde pequena por ter sido criada na lida bruta como se fosse homem; Alexandre, o jovem simples e trabalhador apaixonado por Luiza; e Crapiúna, soldado cruel que vê em Luiza não um amor, mas um desafio para seu poder de conquista e sedução. Em em meio a esse triângulo o amadurecimento de Luiza como mulher, o sofrimento de Alexandre preso acusado por um crime que não cometeu e todo o ódio de Crapiúna, homem vingativo que não mede consequencias para conseguir o que quer. Mas diferende do que se espera, não é Luiza realmente a heroína que salva o moço injustiçado, mas sim Terezinha, jovem largada no mundo que demostra que grandeza não se mede pela riqueza, por títulos ou patentes. Apesar do final não ter sido o que desejava, o autor faz de seus personagens mais do que marcantes, ele cria personagens inesquecíveis.

26 de agosto de 2011

Inocência

Com riqueza de detalhes e profundo conhecimento vivenciado pelo autor, o livro permite uma verdadeira viagem ao Brasil rústico e sertanejo dos idos de 1871, quando "honra e palavra" eram os principais motivadores dos amores impossíveis. E assim acontece com Inocência e Cirino. Ela, uma jovem do interior do Mato Grosso prometida em casamento a um homem bruto acostumado à lida do sertão. Ele, um jovem farmacéutico a quem as andanças de Minas Gerais ao sertão matogrossense faz virar "doutor" e arrebatar o coração de Inocência. Entre eles, o Sr. Pereira, o pai, homem simples, hospitaleiro, mas capaz de sacrificar a própria filha em nome da sua palavra. Entre os personagens ainda temos o entomologista Guilherme Meyer, hospede de Pereira que tem seu modo espansivo de homem europeu confundido com afronta pelo sertanejo. Dessa forma o autor apresenta o sertanejo, o homem da cidade e o extrangeiro, revelando os contrastes entre cada um deles. O final como já imaginava, é triste, fatal e representa o que por muitas vezes deve ter ocorrido na época em que o livro foi escrito.

20 de maio de 2011

Muito mais que uma história de amor...

Através de Ubirajara, José de Alencar nos conta muito mais que as dificuldades para a realização do amor entre Jaguarê e Araci, jovens de tribos inimigas que se apaixonam. Ele descreve o índio em sua forma mais pura, antes mesmo do contado com o homem branco, suas leis, costumes e valores, são retratados de forma a valorizar a "cultura indígena". Mas uma coisa ficou bem clara, seja a guerra entre brancos e índios, somente brancos ou entre apenas indíos, é sempre um ato insano. Mais do que uma história de amor, Ubirajara é a voz das raizes da nossa cultura.

19 de maio de 2011

Para ser lido sem pressa, absorvendo cada palavra

Com certeza Iracema não está entre os livros que mais agradará a jovens que ainda não descobriram o prazer da leitura pois sua escrita apresenta uma linguagem de difícil compreenção, o que exige que seja lido com calma e atenção a cada palavra. Alguns momentos poderá se fazer necessário, a releitura de uma página ou mesmo um capítulo. Mas quando já se tem amadurecido o hábito da leitura, Iracema pode se tornar um livro lindo, capaz de nos transportar fisicamente e culturalmente aos primeiros tempos do Brasil colonizado. José de Alencar narra o nascimento do amor entre a índia Iracema e o branco Martin, os desafios e consequencias que enfrentam para viverem esse amor. Um livro para ser lido sem pressa, absorvendo cada palavra e admirando uma terra ainda virgem, onde seria posteriormente o Ceará.

15 de maio de 2010

Ótimo livro para quem quer se iniciar no literatura clássica brasileira

Após passar por Angústia de Graciliano Ramos, um livro pesadíssimo, foi uma delícia relaxar com Leonardo, a Comadre, D. Maria, Vidigal e tantos outros. A estória conta o codidiano de pessoas simples do Rio de Janeiro na época do reinado. As peripecias de Leonardo na infância e ainda na fase adulta, nos diverte e até nos faz torcer pelo malandrinho a quem o padrinho queria ver clérico, mas tinha mesmo era vocação pra vagabundo. Algumas passagens como o "defunto" são ilárias. Outras que revelam a existência dos "rezadores", pessoas que ganhavam a vida indo nas casas dos mais abastados ensinar as crianças e negros cativos a rezar, nos revela um pouco de um passado já esquecido. O final é feliz, diferente de muitos livros da época. Um ótimo livro para quem quer se iniciar no literatura clássica brasileira.

7 de maio de 2010

Esse poderia ser julgado pelo título e pela capa

Angústia é o nome mais apropriado que já encontrei em um livro. Nunca se deve julgar um livro pela capa ou pelo título, mas esse poderia ser julgado corretamente nos dois ítens, pelo menos a capa da minha edição me transmitiu a mesma ideia de angústia que o título. Mas vamos ao livro em si, no início pensei que fosse apenas um livro saudosista, pois o personagem principal fala de sua infância, da família, do seu destino depois da morte do pai... Mas logo o autor nos apresenta Luiz como um funcionário publico insatisfeito, vivendo dias medíocres ao lado de pessoas sem muita pespectiva de vida e um amor não concretizado. Não é o tipo de narração que me atraia (em certos trechos me lembrou O Cortiço), mas tenho que admitir que Graciliano Ramos conseguiu neste livro, transmitir ao leitor toda a angustia que Luiz sentiu durante toda a narrativa. Terminei louca por uma boa comédia, pois estava agustiada e questionando minha própria vida.

30 de abril de 2010

Forma linda de descrever costumes e lugares

O Garimpeiro é um livro lindo, de um autor que adoro. Poderia ser só mais um livro de amor impossível como muitos da nossa literatura clássica. Mas Bernardo Guimarães tem uma forma linda de escrever e descrever os costumes e lugares da vida daquela época. O capítulo onde ele descreve a festa da Cavalhada me deu aquela sensação gostosa de saudade como se eu tivesse vivenciado tudo aquilo. Adoro festas folclóricas e estórias que se passam em lugarejos simples no interior, se for em Minas Gerais, melhor ainda. A estória do amor de Lúcia e Elias é cheia de tormentos do coração e da alma; o destino parece reger a vida das personagens de forma traiçoeira, mas a fé e a perserverança vencem todas as adversidades. Mais um livro que retrata os costumes da sociedade do século XIX e que me encantou muito.

18 de março de 2010

Um livro que a muito me assombrava

Depois de 2 tentativas frustradas, finalmente consegui chegar ao final. O livro vale para quem gosta de estórias cotidianas e sem grandes motivações. Um dia depois do outro e a natureza humana exposta de forma fria e cruel. Uma das lições que se pode tirar do livro é de que no final os maus triunfaram. O livro foi assim desde o início, não havia compaixão, nem moral e muito menos respeito pelo próximo. Não consegui destacar um único personagem que não tenha se tornado ainda mais miserável durante a narrativa. Aqueles que não seguiam o caminho da desonestidade se tornavam ainda mais pobres materialmente, enquanto que aqueles que progrediam na vida, se tornavam cada vez mais miseráveis moral e humanamente falando.

Muito se tem comparado o "cortiço" com as favelas dos dias atuais, até concordo no que diz respeito a falta de oportunidade e bens materiais, mas não acredito que a miséria material seja responsável pela miséria moral, nas favelas existem sim bandidos, mais a grande maioria são pessoas honestas e trabalhadoras. A falta de moral e escrúpulos podem ser encontrados tanto em uma favela como em um condomínio de luxo. Achei uma visão muito preconceituosa do autor, ao retratar o cortiço como local não de pobreza material, mais sim de pobreza moral. O final tentou chocar, mas uma vez que todo o livro é composto de pequenas estórias cotidianas, foi previsível e vazio; terminei aliviada em me ver livre de um livro que a muito me assombrava.

14 de março de 2010

Mulheres as vezes são mais que só coração

Depois de conhecer Helena, a mais pura representação da alma romântica, eis que me aparece Guiomar, jovem fria e ambiciosa, onde o sentimento parece não tocar o coração, mesmo que este esteja humilhado a seus pés.Essa foi minha primeira impressão da personagem, mas no desenrolar da estória pude perceber a clara diferença entre os três pretendentes que disputavam seu amor e não foi com admiração que pude entender o porque de sua escolha. Um sonhador que acreditava que seu amor era suficiente para ser amado; um rico herdeiro que gastava a vida com futilidades e um jovem que acredita em sim mesmo e buscava com seus próprios esforços alcançar o sucesso e o reconhecimento. Todos a vêem como a mulher ambiciosa que pretendia pelo casamento alcançar riqueza e status. Mas discordo um pouco dessa análise pois não apenas o escolhido lhe traria luxo, uma vida confortável e segura, a verdade é que Guiomar procurava mais que isso, ela precisava admirar o homem a quem se entregar, e apenas um dos pretendentes poderia despertar tal sentimento, pois também tinha o mesmo pensamento. Mas não creio que nesse caso a ambição seja um crime, uma vez que o que foi almejado e conseguido, tenha sido sem prejuízo de outros. Particularmente, para amar uma pessoa, antes de tudo preciso admirá-la, não basta que esta me ame, Guiomar era assim, a "razão antes do coração", mas ainda que esteja em segundo plano, o coração também tem seu peso na decisão, o difícil é conseguir atender os dois na vida real.

13 de março de 2010

Um grande prazer que deveria ter desfrutado a mais tempo

Segundo livro de Machado que leio, e terminei o livro com uma grande satisfação pois este tirou a primeira impressão que tive ao ler "Memórias Póstumas de Brás Cubas". Diferente da personagem Virgília, de quem senti repulsa (acho que não escolhi um bom momento para conhecê-la), Helena é a mulher que nos arrebata com a alma. Forte e convicta, é capaz de levar às últimas consequencias um erro, mesmo que esse não tenha sido premeditado. Estácio é daqueles homens que nos mulheres "imaginamos" existir, ainda hoje, em pleno século XXI. Dificilmente encontraremos uma "Helena" nos dias de hoje, mas foi um grande prazer conhecer uma figura apaixonante e tão intensa em seus sentimentos e convicções.

E mais uma vez não consegui deixar minha veia "detetivesca" de lado e pude antever a revelação do segredo de Helena, mas Machado me surpreendeu com o final, bem diferente do que se imagina quando o mistério é esclarecido. A quem ainda não conhece Machado de Assis, este romance poderá ser um bom começo.