9 de junho de 2011

O mal tão claro que nos custa acreditar

Diário do Farol é meu primeiro contato com João Ubaldo Ribeiro e o que encontrei foi um texto intenso, escrito na primeira pessoa; o que me deu a impressão de que não estava lendo e sim "ouvindo" a história. Ubaldo nos coloca frente a um padre, já em idade avançada, que após vingar-se de todos aqueles que acreditava terem-no ferido, resolve se isolar em uma ilha e, sem pretenções literárias, relatar com exagerada arrogancia, seus feitos crueis e desumanos. Em uma realidade fria e dissimulada, ele usa as agressões sofridas na infância como justificativa para as maldades praticadas. Assim, acompanhamos a mente de um pisicopata ardiloso que desde o ínicio da adolescência, ainda no seminário, aprende a usar contra quem quer que seja, o que sabe ou vê para alcançar seus objetivos. Movido pelo desejo de vingança, seu grande propósito é matar o pai, a quem acusa pela morte da mãe ainda em sua infância. Mas para chegar até o fato consumado, outras mortes tão ou mais crueis ocorrem, enquanto que, com sabedoria e dissimulação, conquista cada vez mais a admiração e o respeito de todos. Como diferencial, destaco passagens onde o narrador menospreza o leitor, como se estivesse nos desafiando, provocando e ao mesmo tempo, nos instigando a admirá-lo.

4 de junho de 2011

O que se pode dizer depois da morte

Incidente em Antares pode, na verdade, ser dividido em dois livros pois a primeira parte é uma espécie de ambientação do leitor não só em relação aos moradores da cidade, como também com a época em que o citado incidente ocorre. Para aqueles não muito pacientes, pode ser lido a partir da segunda parte, onde de fato o "incidente" acontece, sem prejuizo de entendimento da história. Mas como adoro livros onde fatos históricos fazem parte da vida de personagens fictícios, para mim a primeira parte foi tão interessante quanto a segunda pois mostra o Brasil desde o fim da monarquia, passando pela república, até o golpe militar. A crítica social e política é o ponto forte do livro e Veríssimo soube dar humor a um texto que tinha tudo para ser pesado e mesmo cansativo. Imagine se os mortos simplesmente pudessem voltar e dizer, em praça pública, tudo aquilo que sabiam mas que a "boa convivência" lhes impedia de dizer enquanto eram vivos? Pois é isso que acontece quando uma greve geral impede que sete mortos da pequena Antares sejam sepultados e eles, em protesto, voltam ao centro da cidade e fazem do coreto, palco de discursos inflamados e mais sinceros que os vivos podem suportar. Meu primeiro contato com o autor me deixou com anseio de conhecer melhor sua obra.

27 de maio de 2011

Nova aquisição para o Meu Cantinho

Coloco aqui a última aquisição do Meu Cantinho, "Diário do Farol" de João Ubaldo Ribeiro, presente que ganhei essa semana de uma amiga que conheci pelo Skoob. Essa amiga se chama Lili e mesmo estando tão distante (ela mora em Pernambuco, eu em Minas Gerais) se preocupou não só em escrever uma linda cartinha, mas ainda teve o carinho de me oferecer um livro. O mundo anda tão artificial e a vida tão corrida, que fico feliz quando tenho a oportunidade de encontrar pessoas como ela, que dão importância e valor a coisas que a correria do dia a dia tem destruido; coisas como a delicadeza, o carinho e a presença. Ela ainda mandou 04 lindos marcadores de livros que vou anexar a minha pequena coleção. Lili, mais do que o presente, amei o gesto, lhe agradeço aqui no Meu Cantinho, mas o carinho pretendo retribuir por carta, pois assim como você, ainda adoro escrever e receber cartas. 

"Ah, também amei a dedicatória Lili, com certeza mais do que emoção à minha vida, esse livro trouxe carinho e afeto, e coisas assim, só nos fazem bem".

20 de maio de 2011

Muito mais que uma história de amor...

Através de Ubirajara, José de Alencar nos conta muito mais que as dificuldades para a realização do amor entre Jaguarê e Araci, jovens de tribos inimigas que se apaixonam. Ele descreve o índio em sua forma mais pura, antes mesmo do contado com o homem branco, suas leis, costumes e valores, são retratados de forma a valorizar a "cultura indígena". Mas uma coisa ficou bem clara, seja a guerra entre brancos e índios, somente brancos ou entre apenas indíos, é sempre um ato insano. Mais do que uma história de amor, Ubirajara é a voz das raizes da nossa cultura.

19 de maio de 2011

Para ser lido sem pressa, absorvendo cada palavra

Com certeza Iracema não está entre os livros que mais agradará a jovens que ainda não descobriram o prazer da leitura pois sua escrita apresenta uma linguagem de difícil compreenção, o que exige que seja lido com calma e atenção a cada palavra. Alguns momentos poderá se fazer necessário, a releitura de uma página ou mesmo um capítulo. Mas quando já se tem amadurecido o hábito da leitura, Iracema pode se tornar um livro lindo, capaz de nos transportar fisicamente e culturalmente aos primeiros tempos do Brasil colonizado. José de Alencar narra o nascimento do amor entre a índia Iracema e o branco Martin, os desafios e consequencias que enfrentam para viverem esse amor. Um livro para ser lido sem pressa, absorvendo cada palavra e admirando uma terra ainda virgem, onde seria posteriormente o Ceará.