7 de novembro de 2006

Presentes de aniversário 2006


Mais 3 pra coleção...


Parece mais um livro de espionagem na Russia, apesar de detestar frio, a Russia sempre rende boas estórias.


O Sobradinho dos Pardais Um daqueles livros de se devorar em uma sentada, estória simples e singela


A Última Sessão de Cinema Parece um daqueles livros adolescentes

21 de maio de 2006

Expulsando demônios

Nunca tive pretenção em ser escritora, e continuo não tendo. Postei aqui algumas coisas que escrevi entre 1994 e 1995, quando escrever aliviava um pouco meus medos adolescentes. Lendo-os tantos anos depois, ainda me reconheço em alguns trechos, mas só em alguns. Fico feliz em perceber que doi menos. Ainda resta um pouco da adolescente tímida que fui, mas sem todo aquele complexo de inferioridade. Ainda sinto o peso da solidão, apesar de gostar tanto dela. É estranho, ainda hoje me sinto profundamente atraida por ela, mas ao mesmo tempo a temo; e agora, acho que ainda mais que antes. Por isso, nada impede que coloque aqui algo atual.
Não sei como classificá-los, não é poesia, nem dissertação, são na verdade desabafos, sem pontuação, sem rima, sem métrica. São "palavreados", apenas a forma que encontrei para expulsar de dentro de mim, demônios que me atormentam. 
  
Palavreado: s.m. Reunião de palavras sem muito nexo ou importância.

Só, caminho

Caminho calada,
olhos baixos,
olhos rasos.
Pensamento atormentado

Caminho à vontade,
mas sem vontade.

Caminho só eu,
sempre, e sempre...

Caminho nas pedras, 
na grama,
no alfalto.

Caminho com rumo,
caminho com direção.

Caminho sem dar importância
ao sol, à chuva, ao vento.

Caminho porque minhas pernas
sabem onde tenho que ir.

Só, caminho,
sem coragem de pedir à vida,
que me faça companhia.

escrito em 01/10/2011

Tudo que sinto

Que dor é essa que corrói o meu ser,
desilude minha alma,
maltrata minha carne.

Cada vez mais a sinto,
inteira, forte, decidida.

Cada vez menos,
sinto vontade de agir,
de lutar,
de vencer.

Sinto, sim
e tudo que sinto,
é dor.

Dói ao amanhecer,
e a cada minuto do dia.

Dói à noite também,
mas ela me é mais amiga,
acolhe as lágrimas,
permite o desabafo.

Dói dentro o que queria
que doesse fora.
Mas fora não dói.

Dói a alma, 
cada vez mais vazia.
E ela me impede de sonhar.

E o que somos nós,
se desistimos de sonhar?

Uma sombra,
uma névoa fria,
uma alma inquieta,
uma única e infinita dor.
escrito em 01/10/2011

Torrente de dúvidas

Encontros e reencontros tiram-me
do curso seguro que trilhei
e o silêncio me tem sido necessário.

Aqui dentro algo revira, 

algo vira, desatina.  
Como um nó que afrouxa e aperta
sem que eu consiga desfazê-lo.

Tenho tentado ignorar o que me machuca
na vã esperança de que a alegria do imaginado
seja mais forte, mais vivo.

Sem chão, sem rumo, tudo incerto
Só desejo  a segurança perdida depois daquele encontro,
mas o tempo passa sem que se apague aquela presença.

É como um encontro de almas 

que dura apenas uma fração de segundo, 
apenas um olhar sem palavras,
mas o suficiente para tornar 

todas as certezas e definições,
uma torrente de dúvidas.

escrito em 16/09/2011