28 de setembro de 2010

A Sétima Maldição

Um livro comprado pelo título, pela capa e pelo preço de R$ 1 real. Comecei a ler sem saber o que esperar pois nunca tinha ouvido falar do autor. Mas o livro já me conquistou nas primeiras páginas. A estória acontece em uma pequena cidade aparentemente normal, mas a cada capítulo a cidade e seus moradores se revelam bem incomum, a começar pelos nomes Eronquínea, Hontário, Grundezindo, Aristóbulo, Abrenúncia, Zabilofélia e por aí vai. Tão curioso e intrigado quanto eu, ficou Paulo, um autor que busca na cidade, inspiração para o seu romance. O fato é que toda vez que Dona Eronquínea acorda com o queixo destroncado e virada para os pés da cama, 70 dias e 70 noites depois, alguma coisa ruim acontece na cidade e é assim que o livro começa. 

A Sétima Maldição é acima de tudo um romance curioso. O gostoso do livro é que a cada capítulo algo inusitado nos é contado sobre a pequena Cidade Nova de Santa Lúcia dos Milagres e seus moradores. A sétima maldição em si, é apenas mais uma trajédia entre os moradores, mas o interessante é a forma como o autor narra as curiosidades, os medos, as ansiedades, as decepções, as desavenças, os sonhos e alegrias dos moradores.



Outro ponto que achei interessante foi a forma como o próprio autor expunha suas dúvidas e ansiedades de escritor, como na página 42 "E ficou se interrogando como seria que as pessoas que escreviam romances, enfim, os escritores, procediam para não perderem os sentido e a sequência do que iam escrevendo." Em outro trecho Pedro Veludo escreve " Como os escritores fariam para manter uma certa coerência na forma - se é que isso era importante - numa obra, como num romance, que pode levar um, dois, três anos sendo escrito? Tanta coisa acontece na vida, num espaço de tempo desses, que quase se poderia dizer, a pessoa que inicia o trabalho não é a mesma que o termina."



Trágico, divertido, inusitado, assim é este romance que deve ser lido com a imaginação livre de qualquer conceito pré-estabelecido.

15 de setembro de 2010

Um pouco do folclore nacional

Mesmo depois de adulta, Francisco Marins ainda me encanta com suas aventuras pelo Brasil sertanejo. Os segredos de Taquara-Póca, conta as aventuras de 3 crianças que ao entrarem na mata em busca do burrinho do sítio em que vivem, descobrem o quanto uma mata pode ser viva e percebem como é importante a preservação da natureza. Usando uma linguagem simples, o autor nos leva a um passeio por um Brasil sertanejo e nos apresenta entre outros, o Curupira, um dos principais personagens do folclore nacional. Um livro simples que consegue divertir e ensinar muito sobre a relação homem-natureza.

27 de agosto de 2010

Livros Inesquecíveis

Eu sei, falar do livro A Cabana é chover no molhado, mas gostei tanto que não poderia deixar de recomendá-lo. Não costumo comprar livros da lista dos mais vendido por dois motivos, primeiro porque lançamentos são sempre caros, segundo porque não escolho o que vou ler só porque está todo mundo lendo. Mas outro dia conversando com uma amiga, ela sugere que eu escolha alguns emprestados e entre os muitos, que vi, A Cabana me pareceu interessante. 

A Cabana
Sinopse: A filha mais nova de Mackenzie Allen Philip foi raptada durante as férias em família e há evidências de que ela foi brutalmente assassinada e abandonada numa cabana. Quatro anos mais tarde, Mack recebe.um bilhete, aparentemente vindo de Deus, convidando-o para voltar à  cabana. Num mundo em que religião parece tornar-se irrelevante, "A Cabana" invoca a pergunta: "Se Deus é tão poderoso e tão cheio de amor, por que não faz nada para amenizar a dor e o sofrimento do mundo?"


Porque é Insesquecível? 
Sem dúvida é um daqueles livros que gostando ou não ele mexerá com você. Se for o tipo de pessoa que acha que sabe exatamente quem é Deus, provavelmente vai odia-lo, se é uma pessoa que diz não acreditar em Deus, com certeza ele irá te incomodar muito. Nas duas hipóteses há uma grande chance dele ser abandonado antes do término. A Cabana não é um livro sobre religião e muito menos trará respostas para nossas dúvidas, mas com certeza nos fará refletir sobre como entendemos Deus em nossas vidas. A partir de uma estória triste de perda e culpa, o autor nos dá uma linda lição sobre o amor e o perdão. Por três vezes chorei como se fosse uma criança, mas em muitos momentos me peguei rindo de coisas simples e revendo minhas próprias atitudes. Um livro para ser lido com a mente e o coração abertos, independente de crença religiosa.

15 de agosto de 2010

Arsène Lupin: O Mistério do Rio do Ouro

O tema não foge do que fãs de Agatha Christie estão acostumados, família, herança, assassinato. O diferente é perceber como a cabeça de Lupin funciona, ele é hábil não só com as mãos (cuide bem de sua carteira quando ele estiver por perto), mas também sabe como tirar das pessoas as informações que quer, apenas insinuando que já sabe de tudo. A trama é envolvente e com um final que faz sentido, porém tem o mesmo elemento que me faz preferir Agatha Christie a Conan Doyle, fatos fundamentais para se desvendar o mistério, só são apresentados ao leitor, quando o mistério já foi solucionado. Diferente dos livros da dama do crime onde todas as pistas estão alí, jogadas ou camufladas, à disposição do leitor que gostar de desvendar o mistério antes do desfecho do livro. Mas valeu, foi uma leitura divertida e bem rápida. Fiquei com vontade de conhecer mais um pouco desse personagens por muitas vezes esquecido nas listas dos melhores detetives. Se bem, que o fato de ele ser um "ladrão" incorrigivel justifique esse esquecimento. 

14 de agosto de 2010

Cultura, história e descaso - Incêndio em Congonhas

Livro sobre Aleijadinho
Toninho Almada/Jornal Hoje em Dia
Apesar desse ser um cantinho dedicado aos livros, hoje abro aqui um parêntese para comentar o lamentável do incêndio ocorrido em Congonhas aqui em Minas Gerais. Se bem que não estarei fugindo muito do tema pois o sinistro ocorreu em dois casarios bem próximos às Capelas dos Passos onde estão as esculturas em cedro de Aleijadinho, com pintura de Mestre Ataíde e esse era justamente o assunto do livro que terminei de ler ontem a noite. É inaceitável que Congonhas não tenha ainda, nem que seja, uma equipe de Bombeiros voluntários, já que esperar que o governo tome as providências parece que é esperar demais. Aqui em São João del-Rei, também uma cidade histórica, foi a mesma coisa, em 2005 um incêndio destruiu o casarão onde nasceu nosso Presidente Tancredo Neves e só então uma guarnição do Corpo de Bombeiros foi instalada. Espero que antes que aconteça o pior, se tome as providencias necessárias para resguardar as obras de Aleijadinho e Mestre Ataíde. Em 2009, quando estive em Congonhas, as imagens da Paixão estavam sendo restauradas, o que já é um começo, mas a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, também nessa cidade, me causou pena e revolta pois estava abandonada. Havia lugares nas pilastras que seguram o coro onde eu poderia colocar minha mão inteira. No livro que acabei de ler, na verdade uma reunião de estudos publicados sobre o artista, sua obra dos Passos da Paixão e os Profetas da escadaria do Santuário de Matosinhos foram exploradas de várias formas, algumas exaltando a genialidade do artista, outras questionando as peças realmente executadas por ele e àquelas onde os "oficiais" de seu atelier poderiam ter sido os responsáveis. De toda forma, Alejadinho ainda é uma figura pouco valorizada por nós brasileiros, apesar de já ter sido considerado a maior artista das Américas. 
Janela lateral da Igreja de São José - Ouro Preto
Janela lateral da Igreja de São José - Ouro Preto
Porta frontal da Igreja de São José - Ouro Preto
Mato toma conta de terraço da Igreja de São José - Ouro Preto
Túmulo do escritor  Bernardo Guimarães -  Igreja de São José - Ouro Preto
Ainda sobre o descaso com nosso patrimônio cultural e arquitetônico, pude perceber que apesar de ser tombada como Patrimônio Cultural da Humanidade,  em Ouro Preto, onde estive recentemente, nem tudo tem recebido a devida atenção, as principais Igrejas como Carmo e São Francisco estão bem conservadas, a Matriz do Pilar e a Igreja das Mercês e Perdões (Mercês de baixo) estão sendo restauradas, mas fiquei indignada com o abandono em que se encontra a Igreja de São José. Pixações em toda a portada principal, janelas quebradas, mato por todo lado, inclusive no pequeno terraço da torre.  É no pequeno cemitério desta igreja, que se encontra o túmulo de um dos meus escritores preferidos, Bernardo Guimarães. Apesar da placa explicativa na frente da mesma, já também pixada, seu túmulo, ainda que majestoso, me pareceu pouco visitado pelos turistas que parecem não saberem da importancia do autor na literatura brasileira. 

Igreja Nossa Senhora dos Anjos em Mariana
Igreja Nossa Senhora das Mercês em Mariana
 Mariana também teve altos e baixos na conservação de seu patrimônio, a cidade mais antiga de Minas Gerais conserva muito bem suas principais igrejas, Catedral da Sé, São Pedro dos Cléricos, São Francisco e Carmo (essa também atingida por um incêndio em 1999 e teve várias imagens dos séculos XVII e XVIII e a belíssima pintura do teto destruidos pelo fogo. Mas as Igrejas da Mercês e Nossa Senhora dos Anjos parecem abandonadas,  pelo menos externamente pois essas se encontrava fechadas.  Já a bela  Igreja do Rosário  está sendo reformada. 
A última vez que estive na vizinha Tiradentes,  a Igreja  de  São João Evangelista estava também abandonada, e pensar que ela fica ao lado  da Casa do Inconfidente Padre Toledo (hoje um museu), mas tive recentes notícias de sua reforma.   
Felizmente aqui em São João del-Rei, nossa Igrejas estão bem cuidadas interna e externamente. Mas como toda regra tem excessão, não posso deixar de falar da pequena Matriz do Senhor Bom Jesus do Monte que apesar da pintura externa feita recentemente para os festejos do Padroeiro, seu interior está precisando de uma reforma urgente. Enfim, como uma apaixonada pela arquitetura barroca, pela cultura e história das Minas Gerais, amo ler sobre o tema e não podia deixar de postar minha indignação com as autoridades que permitem que perdas como essa de Congonhas ainda aconteçam nos dias de hoje. Que o fato sirva de alerta não só às autoridades públicas dessa importante cidade, mas de todas as cidades quem têm ainda um lindo passado a nos mostrar.